
Já estamos no ano certo. Agora falta chegar dia certo: 21 de outubro de 2015. Essa era a data que aparecia no painel do
DeLorean do Doc. Emmett Brown (Dr. Brown) no início do filme De Volta para o
Futuro – Parte 2, de 1989. Recentemente resolvi assistir novamente a trilogia
em sequência (bendito Netflix) e percebi que a data estava chegando.
Fiz o exercício de assistir a parte 2 prestando atenção nos
detalhes. E aí resolvi escrever um daqueles textos inúteis, mas curiosos, sobre
o que o filme acertou e o que errou. Vamos lá.
Os óculos do Dr. Brown
No início do filme é repetida a
última cena da parte 1 eis que salta do DeLorean um Dr. Brown, vindo do futuro,
vestido com uma roupa ridícula (um sobretudo no tom “amarelo Restart”) e um
óculos prateado. O sobretudo colorido não era grande novidade, já que as
boybands dos anos 1980 já abusavam das cores (Locomia, Menudos, Dominó,
Polegar). Mas os óculos “escuros” espelhados...
Até que os produtores foram na direção correta. Só o prateado que ficou
meio exagerado, mas as linhas foram certeiras. Além do desenho próximo do atual,
algumas funcionalidades também já são possíveis, como projeção de exibição de
imagens (no filme, o retrovisor do DeLorean), atendimento de telefone e e vídeo
conferência pelo óculos. Mas não é todo mundo que possui um desse em 2015. Até
já testei um Google Glass, mas não vejo pessoas com isso na rua. Além ser menos
comum, a tecnologia usada parece ser diferente. No Google Glass, a imagem é
projetada diretamente na retina e não na lente, como sugere o filme.
Uso de resíduos orgânicos como combustível
A tecnologia
existe. Já existem muitas propriedades que são abastecidas por gás proveniente
da compostagem de resíduos orgânicos. Mas a eficiência energética e a velocidade de geração está muito
longe do que é apresentado no filme.
Carros voadores e aerovias
Definitivamente não estamos nem
perto disso. Ainda que algumas megalópoles tenha intenso trânsito de
helicópteros, não é nada que se pareça com a cena inicial do filme.
Indutor de sono
Quando Jeniffer começa a perguntar demais
sobre o futuro, Dr. Bronw posiciona um objeto sobre os olhos da moça que a faz
dormir. Seria um “indutor de sono gerador de ritmo alfa”. O máximo que esse
objeto inspirou foi o neuralizador dos Homens de Preto (Man in Black, 1997).
Induzir sono, só por meio de drogas tarja preta.
O relógio do Dr. Brown
Assim que o DeLorean pousa, o Dr.
Brown pede para que Marty McFly desça do carro e troque de roupa. Mas Marty
argumenta que está chovendo. O Dr. Brown pensa, olha para o relógio e declara:
“Espere mais cinco segundos”. E a chuva para. Ainda que a previsão do tempo não
seja tão precisa, ela está sim nos relógios. Ao menos naqueles smart clocks (Galaxy Gear, G Watch, Apple Watch). No
fim, ele arremata: “Pena que o correio não seja tão eficiente quanto a previsão
do tempo”. Completamente errado...
Discos prateados
Na mesma cena, Marty McFly desce do carro
e começa a observar. Ao fundo aparecem pacotes com discos prateados. O filme
não diz o que seriam, mas o tamanho deles sugere que são discos de áudio, pois
seus tamanhos são semelhantes aos dos LP e discos compactos de vinil (tem até
uns dois do tamanho de CD, DVD e BluRay atuais). O que pode parecer um acerto,
não merece comemoração. Primeiro que os discos a laser (Laserdisc) começaram a
ser comercializados 1982 (no Brasil é que levou mais tempo para se
popularizar). Segundo que hoje, o formato digital de áudio, não requer
necessariamente um disco para ser reproduzido.
Rejuvenescimento
Em seguida, Dr. Brown diz que foi a uma
clínica de rejuvenescimento e foram tiradas algumas rugas (ok), arrumaram o
cabelo (ok), mudaram o seu sangue (possível, mas não como técnica de rejuvenescimento),
adicionaram uns 30 a 40 anos a sua vida (não), além de substituírem o baço e o
colon (possível, mas não como técnica de rejuvenescimento). Enfim, essas
técnicas existem, mas a maioria é utilizada para rejuvenescimento. O máximo que
se consegue hoje é uma aparência mais jovem.
Tecnologia de reconhecimento facila
Dr. Brown utiliza um objeto semelhante a um objeto quadrado para observar as pessoas que estão passando na rua. O objeto marca e acompanha rostos, indica a distância e algo que parece a posição geográfica. Tudo isso está presente nos nossos smartphones e máquinas fotográficas.Roupas autoajustáveis
Não conheço nada desse tipo (ao menos
não comercialmente vendido). Mas a marca do tênis (Nike) eles acertaram. Ainda
é muito popular 25 anos depois de lançado o filme. Secagem automática? Nem
pensar.
Bonés ridículos e bolsos para fora
Ninguém (que eu conheça)
usa bolsos para fora, mas hoje existem bonés de aba longa até mais ridículos
que o utilizado por Marty no filme.
Jornais de papel
Ainda que muita gente tenha decretado a morte do jornal diário impresso em papel, ele sobrevive (e deve ter vida longa). E o USA Today continua sendo o jornal de maior circulação nos EUA até hoje. A marca não mudou muito, mas o estilo de fonte utilizado pelos produtores na marca do jornal de 2015 já saiu de moda a muito tempo. Tudo bem que o mais provável seria o Dr. Brown sacar um smartphone e mostrar a notícia, mas a cena como foi gravada ainda é bem comum. Já o fato noticiado (uma prisão, julgamento e condenação num intervalo de duas horas) está longe de ser realidade. Um processo judicial concluído em duas horas seria uma temeridade. E os advogados ainda existem, ao contrário do previsto na fala do Dr. Brown.O design dos carros
Muitos modelos que aparecem no filme lembram modelos atuais. Mas alguns designs permanecem restritos aos protótipos e salões de exposição.Tubarão 19
Spilberg até tentou promover o filme de sua franquia Tubarão, mas ele não passou da parte quatro, lançado dois anos antes da estreia de De Volta para o Futuro – parte 2. A tecnologia 3D para filmes é muito mais popular que em 1987 (Tubarão 3, de 1983, foi lançado em 3D). Mas ainda é inviável no meio da rua, sem óculos, como visto por Marty.Texaco
Segue como uma importante marca de postos de
combustíveis nos EUA, mas no Brasil seus postos foram vendidos para a rede
Ipiranga. E ainda não existem robôs prestando o serviço aos carros (nos EUA,
nem as pessoas abastecendo, como ainda aparecia em 1955, no primeiro filme da
série).
Anos 80
Sim, eles ainda estão na moda. Existem saudosistas de todas as décadas, mas os saudosistas dos anos 1980 estão espalhados por todos os lados. No Café `80s há referências a personagens, marcas e objetos que nunca saíram de moda (Michael Jackson, fliperamas, JVC, Charles e Diana, Pac Man, Pepsi) e a alguns hoje quase desconhecidos (Aiatolá Khomeine, Ronald e Nancy Reagan, Wild Gunman).Atendimento virtual
Ele existe, mas não é o padrão. Todas as tecnologias necessárias existem e são relativamente populares. Reconhecimento de voz, menu multiopções, avatar para atendimento. Mas o garçom de carne e osso ainda é o que nos deixa mais a vontade.Videogame “sem as mãos”
Marty mostra para dois garotos como se joga um fliperama dos anos 1980. Utiliza uma replica de revolver para matar inimigos na tela. Após observarem a demonstrações, os garotos comentam: “Tem que usar as mãos? Parece brinquedo de bebê!”, sugerindo que em 2015 os jogadores não precisariam de objetos para interagir coma tela. Se for só isso, estamos lá. Mas se o texto era para sugerir o controle com a mente, nossa tecnologia está engatinhando. O filme não mostra como seriam os jogos.Hoverboard
Essa é a previsão mais famosa e mais sonhada pelos garotos da época. Um skate ou um patinete sem rodas, que flutua a poucos centímetros do solo. Na teoria, ele pode existir, mas ele não andaria sobre qualquer superfície (não sem levantar muita poeira). A fabricante do brinquedo no filme (Matel) ainda é a maior do mundo no segmento. Mas os únicos veículos magnéticos que rodam comercialmente são trens, exatamente porque utilizam trilhos. No filme, além dos skates e dos carros, também flutuam as câmeras fotográficas de jornais, uma espécie de cadeira de rodas que deixa o usuário pendurado (de cabeça para baixo, no caso do pai de Marty) e uma coleira que passeia com o cachorro sozinha.Chicago Cubs
Marty observa um painel holográfico que informa que o time de baseball Chicago Cubs foi campeão da World Series. Um senhor ao lado dele completa: quem diria? Praticamente impossível. Em 1987, o Chicago Cubs completava 79 anos sem título. Uma verdadeira maldição. Que persiste até hoje, o maior jejum da história da MLB (Major League Baseball, a liga norte-americana de basebol). No filme, esse jejum é quebrado em 2015. A conferir. A final da temporada 2015 está marcada para o dia 4 de outubro, mas a World Series acontecerá de 27/10 a 4/11 (após a chegada de McFly ao futuro. Apesar da data não coincidir, quem sabe não é a hora de quebrar a maldição?Atualização de 7/10: o Cubs avançou para os play offs da MLB.
Papel a prova de poeira
Segundo uma vendedora de um antiquário, as sobrecapas deixariam de ser usadas com a invenção do papel à prova de poeira. Nem tal papel foi inventado, nem as sobrecapas deixaram de existir, ainda que não sejam muito populares.Identificação biométrica
A tecnologia é popular, mas não para abrir a porta de casa, principalmente em bairros de classe média, como no filme. Alguns caixas eletrônicos já funcionam com a leitura da digital no lugar da senha, mas as maquininhas de cartão (como no táxi do filme), não. A AT&T continua existindo e se expandindo, mas não é conhecida por esse tipo de tecnologia. A casa inteligente também é uma realidade, mas não é popular.Inflação
Os valores sugeridos para alguns produtos no filme são bem superiores aos que são encontrados hoje em dólar.Aparelhos de TV
Em cheio! A TV da casa do Marty do futuro tem tela fina (pendurada na parede como um quadro), formato widescreen, bem maior que o padrão de TV da época (4:3) e possui reconhecimento de voz (já presente em alguns modelos de hoje). Só não conheço um modelo que apresente tantos canais ao mesmo tempo. Mas videoconferências são possíveis conectando o aparelho à internet e acoplando uma câmera. Alguns modelos já vêm preparados de fábrica.Comida desidratada
Existe, mas da mesma forma que existia nos anos 1980. Poucos são os alimentos que são desidratados para ocupar menor volume, como no caso da pizza que os McFly comem. E a Black & Decker continua sendo um fabricante relevante, não só de fornos, mas de centenas de outros aparelhos domésticos e industriais.Gravata dupla
Graças a Deus, nenhum imbecil teve essa
ideia. Felizmente, o filme errou.
Fax
Objeto de desejo para os conectados nos anos 1980, hoje é praticamente uma peça de museu. No filme, a casa dos McFly poussem pelo menos três desses aparelhos. Praticamente a mesma quantidade que existe numa cidade inteira hoje em dia.
Quem sabe até outubro alguma coisa muda.
























